O incômodo final de The Darkest Minds

by - 02:09

Metrocebo.news
The Darkest Minds, ou Mentes sombrias foi um filme que me ganhou desde o trailer. Quando eu ia assistir a algum filme no cinema, e via o trailer, já pensava "PRECISO ver esse filme!". Já estava morando aqui nos Estados Unidos quando o filme foi lançado e, sério, quando eu assisti fiquei louca de amor. Alexandra Bracken simplesmente uniu meus dois gêneros favoritos - chicklit e distopia - de forma tão harmônica que minhas expectativas foram jogadas lá em cima. 

Procurei os livros para baixar em português e descobri que só tinha o primeiro livro traduzido. Daí pensei comigo mesma "Estou morando em outro país para melhorar o meu inglês, então por que não tentar ler o livro em inglês?". Assim sendo, comprei uma box com The Darkest Minds, Never Fade, In The After Light e Through The Dark. A história principal é concluída no terceiro livro e o último é uma continuação para alguns outros personagens. Quero deixar frisado aqui que eu não li o último livro. E que esse post contém spoilers graves. Vamos à história.

The Darkest Minds fala sobre uma doença - e depois descobrimos que não é realmente uma doença - que dizima grande parte da população infantil e deixa seus sobreviventes com sequelas inesperadas: poderes classificados por cores segundo seu grau de perigo. As cores são verde, azul, amarelo, laranja e vermelho. Ruby, a protagonista da história, é laranja. Quando as mortes começam a acontecer, e os poderes dos sobreviventes a ser revelados, o governo decide criar acampamentos para "acolher e buscar a cura" para essas crianças. Porém, os acampamentos são como campos de concentração e as crianças classificadas como amarelo, laranja e vermelho geralmente "desaparecem", por serem as mais perigosas.

As crianças verdes são superinteligentes, as azuis têm poderes telecinéticos, as amarelas têm poderes elétricos, as laranjas conseguem controlar a mente de outras pessoas e as vermelhas conseguem controlar e produzir fogo. 

O livro e o filme divergem um pouco em relação à história. No livro, o Bolota é azul, assim como o Lian. Já no filme, ele é verde. 

Ruby consegue enganar os médicos que fazem a triagem das crianças usando seu poder e finge ser verde. Em Thurdmond, o acampamento no qual ela está, laranjas e vermelhos são mortos - no filme - e no livro, eles são primeiramente separados dos outros, e depois os laranjas começam a ser mortos por serem difíceis de controlar e os vermelhos são enviados para um projeto chamado Jamboree, onde são utilizados como armas. Além disso, os amarelos também são tratados como perigosos, apesar de no filme isso não ficar muito claro.

O primeiro livro, assim como o filme, foi muito bom. Apesar de que, como é de praxe, as coisas parecerem corridas demais no filme. O segundo livro superou qualquer expectativa que eu tenha criado.

De forma bem resumida, em The Darkest Minds Ruby foge de Thurdmond e conhece Bolota, Suzy e Lian. Eles estão procurando um abrigo, que promete ser um lugar seguro para crianças como eles. Bolota e Lian são azuis e Suzy é amarela e não tem muito controle sobre seus poderes. Ruby se apaixona por Lian e devido a um monte de coisas, é obrigada a se juntar a uma organização chamada Liga das Crianças que é tipo uma organização antigoverno. E antes de se unir a eles, ela apaga todas as memórias que Lian tinha sobre ela para que ele não tente resgatá-la. Em Never Fade, somos inseridos na vida de Ruby na liga. Novos personagens nos são apresentados e um, em especial, é muito bem construído e trabalhado, o que faz o leitor se apegar a ele muito facilmente. Esse personagem é o Judy, e ele morre no final do segundo livro de um modo que mexe com o leitor. Mas antes que isso aconteça, a Liga tem a missão de encontrar Lian, porque ele tem uma informação valiosa para eles, o que coloca Ruby e Lian próximos novamente e por fim todas as memórias dele acabam sendo consertadas. Ainda no segundo livro, descobrimos que Cole, irmão de Lian, é um vermelho.

"Existem pessoas no mundo cujo propósito parece ser servir de ponto de conexão. Elas nos abrem para os outros e para nós mesmos." (p. 135, tradução própria)

Para mim esse foi o ponto ápice da história. As crianças das cores tidas como perigosas não são vistas com bons olhos até mesmo pelas outras crianças. E os vermelhos, em especial, sofrem um processo de desumanização. Até então, não se tem nenhum personagem que seja vermelho e que não tenha aparecido como uma arma sendo usada por alguém. Cole é o primeiro contato que temos com essas crianças e é muito gostoso olhar para ele e ver a construção da humanidade daquela cor. Somente três pessoas sabem que ele é vermelho.

A primeira coisa que me incomodou na história foi que quando Cole decide revelar para Lian que ele é vermelho, a cena não é mostrada. A narrativa da série é em primeira pessoa pelos olhos da Ruby, então, para que nós víssemos a cena, ela também teria que ver e não é o que acontece. O que nos é mostrado é uma conversa entre ela e Lian, na qual ele conta como foi a conversa com o irmão, sem muitos detalhes. Na minha opinião a autora poderia ter construído uma situação que obrigasse o Cole a revelar os seus poderes para o irmão em uma cena que a Ruby pudesse ver e, automaticamente, nós leitores também. Deixei passar, afinal eu realmente estava gostando da história.

E então, praticamente no final de In The After Light, a autora simplesmente mata o personagem Cole com um tiro enquanto ele tentava tirar algumas fotos de um campo de concentração de vermelhos (???). Mesmo assim, a sensação que eu tive foi de que a autora construiu um conflito muito bom e que não soube como resolver, e achou mais fácil simplesmente matar o personagem.

Senti mesmo que algo assim iria acontecer, porque eu estava quase no final do livro e haviam muitas pontas soltas e assuntos importantes ainda não resolvidos.

Além disso, desde o começo do primeiro livro, Ruby quer encontrar os pais e a avó, mas ao mesmo tempo tem medo de fazer isso, porque apagou as memórias que os pais tinham dela. Quando essas três pessoas finalmente aparecem, são retratadas beeem figurantes mesmo, com a avó típica de "amo minha netinha do jeito que ela é e sou cool". A Sam, que aparentemente é super amiga da Ruby não tem quase nenhum destaque, de forma que a amizade delas é mais uma coisa de "alguém disse que elas são amigas" sem que isso seja tão mostrado - na verdade, no começo do primeiro livro isso é trabalhado, mas depois é esquecido.

E por fim, o final do livro é bem corrido e tem bem cara de história de fanfic ruim. Quando eu li o final, fiquei muito decepcionada. Eu estava amando a história e a autora simplesmente estragou tudo em algumas páginas do final do terceiro livro. Isso foi suficiente para me fazer desistir de ler o quarto livro. Talvez eu leia algum dia, mas por enquanto não li e não está em meu planos mudar isso.

Não sei se serão lançados filmes de continuação, e eu provavelmente assistirei na esperança de que eles modifiquem a história e salvem ela. Não consigo indicar a série, pois apesar dos dois primeiros livros serem bons, o terceiro livro destoa completamente e acaba ofuscando a história construída dos livros anteriores.

Pois é, gente. Nem só de boa leituras vive o Tribo Letras. 

E você, vai arriscar ler a trilogia The Darkest Minds? Me conta aqui nos comentários!

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