Shadow and Bone: quando a série é melhor que o livro

By Alana Campanha - maio 19, 2021

 


A série top 1 na Netflix é a adaptação dos livros da trilogia Sombra e Ossos. Inspirado na estética russa, a história mostra um mundo onde algumas pessoas nascem com poderes de controlar elementos, os chamados Grishas, sempre tratados com preconceito. Neste mundo também temos a Dobra (the Fold), um gigantesco obstáculo de sombras e monstros que cruza o continente. As lendas dizem que algum dia um conjurador do sol, um santo, iria destruir a Dobra. E claro, a protagonista Alina Starkov acaba descobrindo ser uma Conjuradora do Sol numa viagem pela Dobra.

Eu já vou deixar claro que praticamente todo mundo que já leu o livro está dizendo: sim, a adaptação é melhor que os livros. Acho muito legal quando pegam livros mais ou menos ou até ruins e mudam na adaptação a ponto de melhorar a história como um todo. É isso o que acontece aqui. E indo nessa questão, até poderiam ter mudado bem mais, mas vamos falar disso depois.

O que mais me surpreendeu positivamente (vamos falar a verdade, a melhor coisa da série!) foi o vilão Darkling (general Kirigan) e os Corvos (Inej, Jesper e Kaz) que também são criminosos. Os corvos especialmente tem tanta química entre eles, uma relação tão boa e tão carismáticos que poderiam ter tido uma série só deles! Estou ansiosa pra ver mais deles e que numa segunda temporada cortem cenas desnecessárias de outros núcleos pra eles terem mais tempo de tela.

Também há muito capricho nos cenários, os esquifes, os acampamentos, a própria Dobra das Sombras, e mesmo os palácios e florestas não tendo a mesma grandiosidade dos livros, dá pra ver que houve um bom investimento para fazer o melhor que podiam. 

Os atores também dão vida aos personagens de maneira radiante, personagens bidimensionais ganham mais vigor. Darkling não é um canastrão, tem suas razões e suas emoções e as poucas falas clichês não prejudicam sua construção; Alina e Maly estão bem mais suportáveis; mas o elemento que mais sofre é o ambiente, não dá para ver a pobreza ou reino se destruindo pouco a pouco por causa das mazelas sociais causadas pela guerra e pelo rei, provavlemnte porque os diretores tiveram medo da audiência ficar do lado do Darkling (para quem leu os livros, também não há nenhuma boa razão para Alina lutar ao lado do rei, esperemos que isso seja corrigido nas próximas temporadas).

Outra coisa é que a série parece ter medo da "heroína" fazer qualquer coisa que seja reprovável, sempre justificando suas ações. Quando Alina queima os mapas, não há reflexão sobre suas ações, seus erros, como se ela não tivesse nada de errado. Ou quando Alina foge, deixando a terra à mercê do rei e da guerra; há também algo curioso: no final do livro, Alina vira uma assassina, pois ela mata a audiência que o Darkling convida para assistir seu controle sobre a Dobra, e na série, é o próprio Darkling quem faz isso, claramente para nos forçar a pensar de que ela é sim uma heroína, apesar de não fazer nada para merecer tal título. 

E entendo tirarem essa cena, pois nos livros a autora basicamente esquece esse detalhe e Alina nunca mais pensa ou se sente culpada pelas mortes. Erro, óbvio, a autora não sabia o que fazer e "esqueceu". Não são exatamente os melhores livros do mundo. E talvez isso tenha sido o fator principal de como a série é melhor que os livros. Claro, ainda seus defeitos remanescentes das obras, Alina ainda é extremamente dependente dos homens a sua volta, ela não existe como personagem, só existe ao lado de Maly, numa síndroma Bella Swan comum na época de 2010, quando os livros foram publicados. Se tivesse feito ela ser uma personagem própria, independente, com suas motivações e vontades, certamente ela seria um dos favoritos do público e não só os Corvos ou o Darkling.

Também achei que faltou mais cenas, episódios, dentro do Pequeno Palácio e o treinamento, a vida dos Grishas lá dentro. Parece que não passa muito tempo da Alina entrar lá e fugir, o que atrapalha a relação do Darkling com ela, não tem tempo para desenvolver, então a revelação fica sem tanto peso. Quem liga que o crush que você acabou de conhecer é o vilão? Eu teria colocado meses da Alina e do Darkling se desenvolvendo e só a partir daí faria a tal revelação, teria mais força, até sem o elemento romântico. 

De qualquer forma, Shadow and Bone impressiona, as mudanças trazidas fazem mundo bem a esse universo, e se não seguirem os livros, pode ser uma adaptação muito bem-sucedida. Vamos torcer para mudarem o final (e por mais gente chamando o general de Darkling)! 


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