Lygia Fagundes Telles e a eternidade

By Alana Campanha - abril 04, 2022

 

Escritora Lygia Fagundes Telles em preto e branco

Quando conheci Lygia? No melhor lugar onde alguém poderia conhecê-la, na biblioteca. Claro, não foi pessoalmente, não a conhecia em carne em osso, eu, como muitos leitores, conheci a verdadeira Lygia: por meio de suas obras. 

O primeiro livro foi um de capa desgastada, o suficiente para saber que ele fora muito lido; uma obra convidativa. Uma árvore grande e escurecida pela sombra, um fundo com pôr do sol e, ao pé da árvore e iluminadas pelo sol que morria, lápides. Uma capa sórdida e tristonha para um título aparentemente otimista: Venha ver o pôr do sol.

A escrita de Lygia Fagundes Telles é clara, preciosa, tecida com cuidado. Ela constrói a batalha, muitas vezes perdida, do pessimismo contra o otimismo; um dia de Carnaval feliz pode ser precedido pela morte de um familiar. Ou, não raro, suas palavras cobrem a esperança, para então, destruí-la no final como uma chama na chuva; uma mulher que perdera tudo e vai passar o natal com seu filho, pode acabar o perdendo também. 

Lygia é a escritora que todos desejamos ser algum dia. Aquela que escreve histórias que ficam com a gente, que ficam presas em nós e nos fazem sentir. Sentir demasiadamente. 

A partida de Lygia ocorreu, porém, é como dizem: "um escritor sempre vive quando sua obra é lida.". Lygia Fagundes Telles é uma das maiores autoras que o mundo já viu, ela imprimiu sua marca para sempre na história da literatura e do Brasil. Lygia é, mais do que tudo, eterna.



  • Share:

You Might Also Like

0 comentários