Nada para ver

By Alana Campanha - junho 14, 2022


Tudo vem e vai e, ao mesmo tempo, é como se tudo fosse a mesma coisa, nada passa, tudo fica, o mesmo desamparo de sempre, o sentimento estranho de névoa, uma névoa densa que nunca vai embora. Não consigo enxergar nada além, não tenho nenhum instrumento para limpar a vista para desafogar a névoa, só posso ficar aqui de pé no deque à espera de uma ventania que nunca vai chegar, uma ventania que vai limpar e fará com que eu enxergue a paisagem novamente. Mas no fundo eu sei a verdade, que eu nunca mais vou ver o horizonte de novo. 

Ou talvez eu veja e esta cegueira não seja nada além de um insano sonho, uma loucura criada pela minha própria mente como desculpa para não continuar. Para que navegar se não há nada para ver, nenhum modo para aproveitar nem mesmo que levemente esta viagem? 



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1 comentários

  1. Talvez seja o caso de, enquanto a névoa permanecer, tentar ver a beleza no horizonte branco e desconhecido. Mas nada permanece o mesmo, é a lei da vida. Tudo tem um fim. Logo a névoa irá embora e dará lugar a um dia ensolarado.

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