Censura homofóbica na Bienal do Rio

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Veja
Eu teria que fazer um vídeo para exprimir totalmente a minha indignação, mas como não estou disposta a fazer isso agora, tentarei escrever um post sobre o assunto.

Nos últimos dias, essa imagem aí de cima tem girado toda a internet e por um motivo bem triste: escancarar a tentativa de censura sofrida na Bienal do Livro do Rio de Janeiro - com direito à visita de fiscais no evento com o intuito de apreender todo e qualquer livro voltado para o público Lgbtqia+!

Sob o pretexto de se tratar de um conteúdo "impróprio para crianças", o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivela, tentou recolher e censurar os livros de conteúdos Lgbtqia+ Lembrando que o artigo do ECA diz o seguinte:

"Art. 78. As revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes deverão ser comercializadas em embalagem lacrada, com a advertência de seu conteúdo.

Parágrafo único. As editoras cuidarão para que as capas que contenham mensagens pornográficas ou obscenas sejam protegidas com embalagem opaca." ECA

E essa aqui é a capa do quadrinho em questão: 

E-farsas - BeEeEeM oBsCeNo, NéNoM?? 
Acho que não preciso dizer isso, mas vou dizer mesmo assim: conteúdo impróprio para crianças engloba pornografia, violência, uso de drogas... pois é, manifestação de amor - tipo beijo, com duas pessoas adultas e completamente vestidas - não é pornografia. 

O fato é que jogando uma capa de preocupação com """as crianças""" em cima de sua homofobia, o senhor prefeito trouxe ao solo brasileiro cenas de censura. O Felipe Neto promoveu uma ação muito bacana em resposta à censura: comprou 14 mil exemplares de livros com a temática lgbtqia+ e os distribuiu gratuitamente hoje, dia da independência do Brasil. Os livros foram encapados com papel preto, parecido com o modelo proposto pelo Crivela, mas com os seguintes dizeres: "Este livro é impróprio para pessoas atrasadas retrógradas e preconceituosas." Todos os livros foram distribuídos antes que os agentes chegassem para apreendê-los e as pessoas saíram empunhando seus livros e gritando frases de protesto contra a censura. 

Outra faceta do que estamos vivendo hoje foi vista no Twitter: estamos em pleno século XXI e temos que ver uma deputada fazer referências a coisas que aconteciam na Alemanha hitleriana:

O clima é tenso, mas a mensagem é clara: não seremos censurados! A comunidade lgbtqia+ não será extinta, nem calada. Somos pais, somos filhos, somos amigos, trabalhadores, estamos nas famílias, no mercado de trabalho, somos seres humanos e temos tanto direito de existir quanto qualquer outra pessoa. Não seremos calados. 

E esse é o post. 

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