Oráculo Oculto traz de volta a alegria de se estar no Acampamento Meio-Sangue!

By Alana Campanha - dezembro 23, 2020

 


Título: O Oráculo Oculto (série As Provações de Apolo)
Editora: Intrínseca
Páginas: 320

SinopseComo você pune um deus imortal? Transformando-o em humano, claro! Depois de despertar a fúria de Zeus por causa da guerra com Gaia, Apolo é expulso do Olimpo e vai parar na Terra, mais precisamente em uma caçamba de lixo em um beco sujo de Nova York. Fraco e desorientado, ele agora é Lester Papadopoulos, um adolescente mortal com cabelo encaracolado, espinhas e sem abdome tanquinho. Sem seus poderes, a divindade de quatro mil anos terá que descobrir como sobreviver no mundo moderno e o que fazer para cair novamente nas graças de Zeus.

O problema é que isso não vai ser tão fácil. Apolo tem inimigos para todos os gostos: deuses, monstros e até mortais. Com a ajuda de Meg McCaffrey, uma semideusa sem-teto e maltrapilha, e Percy Jackson, ele chega ao Acampamento Meio-Sangue em busca de ajuda, mas acaba se deparando com ainda mais problemas. Vários semideuses estão desaparecidos e o Oráculo de Delfos, a fonte de profecias, está na mais completa escuridão.

Agora, o ex-deus terá que solucionar esses mistérios, recuperar o oráculo e, mais importante, voltar a ser o imortal belo e gracioso que todos amam. [via: Skoob]



Vou confessar uma coisa: Apolo é o meu personagem favorito de Rick Riordan desde que ele apareceu pela primeira vez em A Maldição do Titã. E mesmo praticamente não aparecendo mais na série, nunca deixou de ser meu favorito por razões até bobas; simplesmente adoro personagens engraçados e de bem com a vida, e Apolo tem a arrogância e vaidade o suficiente para ser engraçado de tão delirante sem ser irritante. Então quando soube que após o controverso Heróis do olimpo, a nova série seria sobre Apolo, mal acreditei na minha sorte. Não era só meu personagem favorito, como finalmente um protagonista deus num livro de Rick Riordan! 

Nada podia dar errado!

E não deu, pois antes de começar, já adianto que me apaixonei pela série e Apolo definitivamente é meu narrador favorito, (desculpe, Percy, Sadie e Leo). Claro, houve certos pontos que precisam ser discutidos e que sei sem sombra de dúvidas que foram defeitos que pra quem não é fã de Apolo como eu e não está disposto a passar o paninho como eu, pode encontrar problemas principalmente neste primeiro livro. 

Então vamos lá! 
 
CUIDADO: SPOILERS PARA A SÉRIE PERCY JACKSON E OS OLIMPIANOS E HERÓIS DO OLIMPO

Apolo tentou dar um golpe e matar Zeus para se tornar o deus maior do Olimpo, tudo manipulado por Gaia. Claro que não deu certo, e seu arrependimento e ajuda aos heróis não foi o bastante para seu pai, Zeus. Como punição, seu pai o transforma em humano e o destitui de seus poderes e o envia para a Terra. Apolo agora precisa servir um humano por três anos para se redimir e poder voltar à sua divindade. O problema é que o humano a quem vai servir é uma criança semideusa de pavio curto. A ida dos dois acompanhados por Percy para o Acampamento meio-sangue é só o início de novos começos e novas ameaças ao mundo que não ficou menos perigoso após o "final feliz" da última saga.

Já devo citar que muitos não gostaram do fato do primeiro livro se passar todo no Acampamento meio-sangue. Depois de tantos livros em missões em todo canto do mundo, é normal se sentir frustrado com uma história menos grandiosa e até mais "cotidiana" em boa medida. Mas pessoalmente eu AMEI esse aspecto do livro. Me apaixonei pelo Acampamento meio-sangue aos doze anos quando li pela primeira vez, então uma história que se passe nele é um deleite para mim. Nunca gostei o quão pouco ficávamos nele nos outros livros antes de partirmos em missões, então gostei disso.  

E claro, a leveza. É um livro leve e divertido, depois de tanta tensão e quase morte da saga anterior, Rick criou uma história menos grandiosa e mais "vamos aproveitar um pouquinho o acampamento enquanto damos risada do sofrimento de Apolo, o idiota arrogante." É uma mudança que pode chegar com estranhamento a leitores que esperam uma "missão para salvar o mundo", mas uma mudança bem-vinda. Qualquer coisa que viesse imediatamente após Gaia seria uma ameaça menor, então foi bom Rick focar a maior parte da história na comédia/dramédia de Apolo lidando com sua humanidade no acampamento ao lado de sua mestra Meg e de seus filhos. 

Um problema nisso é que quando a ameaça é enfim apresentada, há um choque de exatamente que tipo de história Rick quer contar. É uma comédia normalzinha ou mais um "vamos salvar o mundo"? O final pressupõe que seguiremos para isso nos próximos livros apesar deste primeiro tentar fugir deste estigma. E honestamente, quando terminei me desapontei por saber que os próximos não iriam se passar no acampamento. O que eu ainda não sabia é a que série ficaria melhor a cada livro, a ponto de ter batalhas e dramas muito superiores ao que Sangue do Olimpo jamais foi. Claro, em livros seguintes, pois este primeiro, O Oráculo oculto, preza mais pela leveza do que um épico.

Eu sei que grande parte de eu ter amado tanto foi eu gostar tanto de Apolo, por isso, não posso saber se quem não é tão fã terá uma experiência parecida. A evolução dele é lenta e natural, seu amor próprio é tão exagerado que você ri do delírio dele. É claro que o deus mais bonito, exibido e se acha a última bolacha do pacote virar um adolescente comum sem atrativos é uma "punição" perfeita que consegue arrancar o humor. É aquele personagem arrogante cujo egocentrismo é tão absurdo que pende mais para a piada e não em motivos para detestá-lo. 

E uma coisa que eu teria adorado ver mais neste primeiro livro, é a relação entre Apolo e seus filhos. Longe de ser o possível melodrama das crianças carentes e pais ausentes se encontrando, é uma relação engraçada em que Apolo basicamente precisa de toda ajuda possível para se adaptar a ser só mais um mortal no acampamento. E isso é até mesmo um ponto que eu gostaria que fosse mais explorado, e também uma das razões por eu não gostar tanto de Meg. Will, Kayla e Austin, os filhos de Apolo, poderiam ter tido muito mais destaque, principalmente Will Solace que teve participações em outras sagas e agora namora Nico. E Will e Nico participam deste primeiro livro, mas por conta de Meg ser a co-protagonista real, a participação deles é bem menor do que poderia ter sido. 

Então claro que nessa questão, eu teria preferido que o livro fosse sobre Apolo e Will, ou Apolo, Will e Nico, e não sobre Apolo e Meg. A presença dela implica automaticamente menos tempo com personagens que os leitores já gostavam. E Meg tem o problema de ser a criança mandona, então pode agradar ou não o leitor pelo efeito cômico de sua relação com Apolo. Claro que se ele tivesse virado servo de Will ou Nico não existiriam muitos conflitos, o que não tira o fato de Will e Nico serem mais legais de se acompanhar do que Meg.

Fiquei pensando se Rick simplesmente não queria focar desta vez numa filha de Deméter, pois nunca tivemos isso nas sagas anteriores. Mas os filhos de Apolo também nunca tiveram muito foco, então se um semideus do sol não teve protagonismo na saga de Apolo, então não sei mais como isso vai acontecer um dia. Até mesmo semideuses de Hermes tiveram mais impacto na trama. 

De qualquer jeito, amei o livro, amei como finalmente temos uma história que se passa inteira no acampamento, como vemos o cotidiano, as pequenas coisas, isso deu um ar de naturalidade e adoro isso. Mais do que aventuras, é legal ver como o fantástico se imprime no dia a dia dos personagens de maneira tão... normal. É uma coisa que quase aconteceu no O Herói Perdido antes deles acabarem saindo do acampamento e partindo pra aventura. A verdade é que como li O Ladrão de Raios ainda criança, o que muitos sentem por Hogwarts é o que sinto pelo Acampamento Meio-Sangue, então quanto mais tempo o livro passar nele, mais maravilhoso será para mim. 

E é claro, juntando meu personagem de Riordan favorito com meu lugar favorito não foi difícil para eu me apaixonar. Claro que poderia ter sido melhor, mais interações com Nico e Will, não tentar colocar elementos de "salvar o mundo" de última hora numa história que até então se apresentava como uma comédia de fantasia cotidiana etc.; mas a diversão enquanto lia foi demais, e meu carinho por esses elementos, o acampamento, o mundo, a experiência de ser um semideus, Apolo, nostalgia, me fizeram simplesmente amar a história! 

O livro seguinte na série é A Profecia das Sombras que, em breve, também será resenhado.


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