Meus sentimentos complexos pela trilogia Grisha

By Alana Campanha - fevereiro 15, 2021

 




"Sombra e Ossos" da Trilogia Grisha está virando um burburinho por conta da série da Netflix que irá estrear, por isso, muita gente está lendo pela primeira vez. A dúvida é se você deve ou não ler o livro "Sombra e Ossos" e seguir essa trilogia de fantasia que está dando o que falar. Eu já li o primeiro e respondo: vai depender da sua paciência!

A verdade é que os fãs amam esse universo muito mais por conta do famoso "Six of Crows" do que pela Trilogia Grisha, da qual "Sombra e Ossos faz" parte. E agora que li o primeiro e segundo livros eu entendo por que. A trilogia não é exatamente o primor da fantasia e peca bastante nos personagens e no romance fraco, por isso, "Six of Crows" acaba sendo os primeiros livros que as pessoas leem quando querem começar o universo Grisha, e não "Sombra e Ossos", já que não é necessário nenhum conhecimento prévio. 

Acontece que prefiro ler na ordem cronológica, então apesar de querer muito começar "Six of Crows", resolvi ler a série antecessora para conhecer melhor esse universo. Aí volto com a pergunta: vale a pena ler "Sombra e Ossos"? E repito a resposta: depende da sua paciência. 

É uma fantasia que pega muito de Avatar: A Lenda de Aang e Korra. São pessoas que nascem com certos dons (Grishas se parecem com os dobradores), alguns envolvendo a conjuração de elementos, temos até mesmo Os Alta, uma cidade dividida por muralhas físicas e sociais claramente inspirada em Ba Sing Se. Claro, nem tudo é inspiração. A Trilogia Grisha tem culturas próprias, cenas fantásticas em ambientes sombrios com toques originais. Mesmo o poder de Alina e Darkling não sendo exatamente o suprassumo da originalidade (uma clara tentativa de uma luta qualquer entre luz e sombra), ainda assim há cenas maravilhosas e cinematográficas. 

Claro que os amantes da fantasia podem se decepcionar, já que grande do livro é Alina choramingando no palácio onde nada acontece além de cenas de treino raramente mostradas e Alina reclamando. A história tem fôlego quando eles estão viajando até o palácio e mais para o final quando eles saem de lá, e a própria mitologia acerca dos Grisha é interessante.

O maior problema do livro é sua infantilidade e o romance fraco, um romance que não agrada nem mesmo os apaixonados por romance. Maly é o melhor amigo humano com quem Alina cresceu e sempre foi apaixonada. Parece muito óbvio que ele vai ficar de escanteio: ele tem todas as características de que será a segunda opção.  Mas isso não acontece. Ele é quem tem o coração de Alina e é o principal interesse, o que poderia ser algo diferente no gênero, se a presença dele no livro não fosse tão... chata. Porque como Alina sempre foi apaixonada, não há surpresas, não há desenvolvimento, eles sempre se conheceram, sempre é a mesma coisa. E isso mata qualquer romance. E não ajuda em nada a autora ter criado um falso triângulo amoroso com Darkling, o Grisha imortal, que é muito mais interessante como personagem e obviamente pegou muito mais os fãs. 

Então, por causa da autora insistir em um casal fraco, outros personagens mais interessantes acabam jogados por escanteio às vezes. Eu não gostaria de Alina com Darkling, mas gostaria sim de um maior foco nele. E tenho absoluta certeza de que, se Alina tivesse conhecido Maly no início da aventura e não quando crianças e já não estivessem apaixonados, a aceitação do público seria imensamente maior. 

A Trilogia Grisha tem um universo interessante e "Sombra e Ossos" tem um bom plot twist e esse é o motivo principal de eu não concordar 100% com pessoas que dizem para as pessoas não lerem o livro. Não, o plot twist não deixa o livro perfeito, mas só pela sensação de descobrir a loucura toda, traz uma emoção de choque que todo bom plot twist deve ter.

Depois de toda essa introdução de "Sombra e Ossos", soltarei SPOILERS pesados do primeiro e segundo livro. Então cuidado!

A partir daqui, segue minha opinião a respeito do segundo livro, "Sol e Tempestade". Foi uma montanha-russa que me deixou com tantas emoções positivas e negativas, que acabei resenhando no Skoob pelo celular mesmo, de tanta rapidez que eu queria dividir meus pensamentos. Então segue:


Esse livro é um paradoxo completo para mim. Não conseguia parar de ler e ao mesmo tempo, sentia ódio constantemente.

É superior ao primeiro livro em todos os sentidos. Alina melhora, apesar de choramingar boa parte do tempo, ela toma mais responsabilidades para si e tenta ser uma boa Conjuradora capaz de liderar e lutar contra o Darkling. Há também novos personagens bem interessantes como o corsário/pirata, e claro que como amante de aventuras no mar eu amei cada cena! Outra coisa bem legal é a evolução dos poderes da Alina, ela fica poderosa, não só na questão dos poderes, mas também em sua posição como líder. As cenas de ação, as intrigas políticas, a evolução de Alina são bem trabalhados.

Mas nem tudo são flores.

Eu odeio Maly profundamente. DETESTO. E sei que muitos, muitos sentem o mesmo. Parece óbvio que ele é o favorito da autora, o típico bonzinho e bonito destinado a ser o par da protagonista, mas na maior parte do tempo ele parece o namorado no "Diabo Veste Prada" de tão insuportável.

E a questão do Darkling: eu o adoro, é o ponto alto da trilogia, e mesmo agora não querendo mais Alina/Darkling (seria um pouco Chernobyl, por mais que eu goste de enemies to lovers), se li tudo tão rápido foi por causa dele. O problema? O cara se transformou num clichê COMPLETO. Cada palavra, cada frase que sai da boca dele é tão clichê, tão clichê que parece ter sido escrito por alguém de treze anos. Os diálogos entre ele e Alina são os PIORES possíveis! É no nível de "É pelo bem maior", "Vou deixá-lo vivo... por enquanto".

E não sei se a autora não gostou da galera toda ter amado o Darkling e quis consertar, porque neste segundo livro todas as aparições dele não devem durar juntas nem quatro páginas. Enquanto isso, Alina pensa no Maly umas trocentas páginas porque a autora quer lembrar todo mundo de que Maly é o cara certo, do quanto estão apaixonados. Tudo isso ao invés de embates entre Alina e Darkling que teriam sido muito mais interessantes, deixados de lado só pelo medo da autora da galera shippar os dois. Bem, breaking news, você pode focar em dois personagens sem que eles acabem juntos.

Por mim ela terminaria solteira e as páginas com bem menos Maly e muito mais Darkling. E outra coisa: a Alina vira quase uma anti-heroina, isso é bom, mas a autora não tem coragem de ir muito longe com isso. No final do último livro, ela assassinou várias pessoas e aqui ela nem pisca sobre isso, ela sente pena bem mais do cervo do que pelas pessoas. Isso poderia ter sido uma premissa melhor para justificar sua sede de poder, mas isso é esquecido. Alina também tem visões do Darkling todo o tempo e acho até que teria sido melhor se Alina formasse algum tipo de laço com a "alucinação" por conta da solidão extrema que ela acaba tendo e com isso, começa a questionar sua própria moralidade e ética (afinal de contas, ela matou inocentes também). Aí, no final, a "dúvida" dela de seguir ou não o Darkling teria parecido MUITO mais genuína para o leitor do que de fato foi. 

Em resumo: se os diálogos fossem melhores, se houvesse maior foco na relação de heroína/vilão com o Darkling e menos nos choramingos de sempre por causa do Maly, teria sido bem superior, ao menos para mim!

Agora, o próximo passo é eu terminar o último livro da trilogia e depois, finalmente, começar "Six of Crows". Vamos terminar esse universo enquanto esperamos pela aguardada série da Netflix!

 


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