Pantera Negra: Um País chamado Wakanda

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Há muito tempo, um meteorito caiu na África, trazendo consigo uma substância poderosa: o Vibranium. Em meio a guerras tribais, um guerreiro foi abençoado por um deus e bebeu da substância misteriosa, transformando-se no primeiro Pantera Negra. Desde então, Wakanda é o país mais rico, desenvolvido e tecnológico da Terra, e vive escondido do resto do mundo.
A premissa da mitologia do Pantera Negra é, no mínimo, fascinante. Enquanto olhos comuns vêem o continente da África com extrema miséria, o fato de Wakanda ser o mais poderoso entre os países e ser o berço de toda a humanidade é algo extraordinário. E, no entanto, isso rende discussões energéticas que se concretizam em ideologias distintas e autosabotáveis.
Certamente, T’Challa, o novo Pantera Negra e novo rei do país, vai mudar os eixos (positivamente) no universo cinematográfico da Marvel.
Se tem uma coisa que tinha sentido em filmes da Marvel, é coração disparado de expectativa, logo substituída por divertimento enquanto assistindo filmes e depois, nada. Comédia, ao menos para mim, não serve para um filme ser inesquecível. É preciso mais. Talvez por isso a badalação em torno de Pantera Negra tenha, no fundo, me deixado um pouco preocupada. E se fosse só mais outro filme engraçado? A Marvel tem um poder quase sobrenatural de fazer comédias acertadas, mas filmes também precisam ser únicos. O melhor filme do MCU, Capitão América: Soldado Invernal, mal tinha resquícios cômicos, entretanto, o drama e seriedade foi ficando cada vez mais para trás e tudo o que eu pensava era que o MCU se esqueceu do porquê Soldado Invernal é tão prestigiado.
Pantera Negra se apresenta como novo candidato e um novo refresco para o MCU, uma maneira mais original de se fazer longas. Se a Marvel Studios preza pela fórmula pronta, muito criticada, inclusive por fãs do estúdio/editora, a sacada de pantera foi produzir um filme que, em boa parte do longa, não parece ser da Marvel.
E isso é estranho de se dizer, pois há cenas divertidas, piadas rápidas, porém, diferentemente de outros longas, o foco não é esse. O foco não está em fazer o máximo de piadas possível e tirar gargalhadas da plateia; o que importa aqui é a fascinação. É apresentar uma nova cultura, um país maravilhoso, o drama do trono cair nas mãos de reis falhos e despreparados, a obrigação de vermos Wakanda apresentada falsamente como um “país miserável de terceiro mundo” para não chamar atenção a suas riquezas e desenvolvimento descomunal. Roteiro, cultura, ação e jornada de personagens acima do cômico, uma seriedade que longe de beirar o sombrio, atenta-se a manter coeso a temática de autodescobrimento, autoafirmação e de uma maneira ou de outra, política.


Porém um herói não é nada sem um vilão, e no caso, um rei não é nada sem um “revolucionário”. Conhecida por vilões pouco trabalhados e ruins, o MCU agora parece ter aprendido a lição: Em Thor Ragnarok tivemos Hela, a vilã mais poderosa até então, interpretada por Cate Blanchet, um respiro para a galeria de vilões ruins do estúdio, que desde Loki, não feito mais vilões decentes (exceção sendo Capitão América: Guerra Civil, no qual o vilão era um homem comum que efetivamente conseguiu seu objetivo e tinha um drama pessoal bem trabalhado dentro do limite); agora, o Killmonger, veterano em guerra e assassino, surge com uma história pronta, frieza típica de um mercenário dos quadrinhos, palavreado típico de um rapaz de um gueto estadunidense, e cujos planos vão além da típica dominação mundial: a ideia se relaciona centralmente na questão étnica e supremacista, uma ideologia pessoal ligada a um drama íntimo que também acaba afetando T’Challa. Se Wakanda é tão poderosa, porque seus reis antecessores pareceram cegos quanto às injustiças do mundo?


E personagens secundários com destaque em tela e jornadas próprias, trajes tecnológicos que nem Tony Stark sonharia, vestes e lutas tradicionais que só o povo de Wakanda poderia fornecer, finalizado com um belo pôr do sol em homenagem aos ancestrais que tanto sofreram.
Resta agora saber se a Marvel mudou a maneira de fazer filmes ou se vai acabar voltando à Fórmula, esquecendo-se de produzir longas diferentes. Se o MCU produzir tanto filmes da fórmula Marvel, mas paralelamente também criar filmes diferentes, extraordinários, então todos saem ganhando.

É isso que esperamos.  
Fonte:
Imagens retiradas de: <https://goo.gl/1MbUeR>, <https://goo.gl/Dfc4kc> e <https://goo.gl/gu5rDo>.


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