Mas e quando não tiver como mesmo?

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As pessoas criativas ou artísticas costumam falar de um sentimento chamado inspiração. Muitas pessoas veem essa inspiração como um momento mágico que vem do nada e trás resultados surpreendentes: aquele livro fo** que nasceu de um momento de inspiração, aquele conto delicioso que nasceu de um momento de inspiração, aquele quadro... você já sabe, que nasceu de um momento de inspiração. 

Eu não acredito que a inspiração seja assim. Sim, acontece de em algum momento você sentar-se em frente a um computador e praticamente psicografar um texto inteiro. Daí a ilusão de que tudo surgiu do nada, ou seja, a mágica da inspiração aconteceu. Mas a verdade é que geralmente você tem uma ideia do que quer fazer. Seja apenas cenas, as palavras que gostaria de dizer, um acontecimento... alguma coisa já estava sendo criada na sua cabeça antes mesmo que você pensasse em transformá-la em palavras. Em dado momento, tudo se alinha na sua mente, e você está pronta pra escrever um texto bacana. Veja bem: ele não surgiu do nada, ele se materializou de um desejo. Como se fosse um bebê que já está pronto dentro da barriga da mãe, esperando para nascer. 

Percebi também que às vezes o momento certo chega e alguma coisa dá errado. Você está pronta para o texto nascer, mas seu computador quebrou, ou justo hoje o pessoal da sua casa resolveu brigar e a gritaria não deixa sua mente se acalmar o suficiente para escrever. É assim. E o momento se perde. Talvez, não para sempre. Mas quem garante que as palavras que você vai escrever depois serão tão boas quanto as que você escreveria agora, se pudesse?

Ultimamente tenho me interessado bastante por livros e canais que trabalham o desenvolvimento pessoal. Creio que nesses últimos tempos ganhei muita inteligência emocional e isso me possibilitou entender algumas coisas. Os livros que eu leio falam de algumas práticas que não são possíveis na minha rotina. A meditação, por exemplo. Sou uma grande entusiasta da meditação, especialmente o mindfullness. Mas a meditação necessita de silêncio, e silêncio não é uma constante na minha vida. Nem de madrugada. É o que acontece quando você tem uma família grande, cada um dorme em um horário diferente, músicas são ouvidas altas no home theater, as pessoas falam alto - eu falo alto -, calopsitas ficam imitando o barulho da máquina de lavar, aliás, lava-se roupa de noite e coloca-se no varal na manhã seguinte. 

Silêncio?

Às vezes lemos ou ouvimos sobre coisas que são as ideais. Lemos sobre a importância da quietude para acalmar a mente e o coração, alinhar pensamentos e sentimentos. Mas a nossa vida não é igual a do autor do livro, ou da moça do canal. A nossa vida é a nossa vida. Talvez a gente tenha que dividir o computador com o irmão. Talvez a gente nem tenha computador. Talvez a gente sonhe em ser muita coisa, mas a vida não nos ofereça as oportunidades certas e acabamos nos contentando com um trabalho qualquer, um parceiro qualquer, uma vida qualquer. 

E tá tudo bem. Mesmo. Desde que isso te traga paz.  

Tem momentos em que não tem como mesmo, e não há nada que possamos fazer.

Aprendi com um professor que a oração sincera é a que mais faz bem para a alma. Mesmo que seja um "Deus, estou muito cansada hoje. Amém." As coisas que fazemos têm que ser sinceras, especialmente se for para nós mesmos. 

Com ruído, com barulho, com música alta - música que você nem curte. Porque se a gente for pensar em todas essas coisas, cairemos no pessimismo, e nem faremos nada no fim. Mas esta vida aqui - a com música chata - é a única que a gente tem para viver. Então temos que tentar fazer o melhor que pudermos com o que tivermos. Mesmo quando não tiver como. Mesmo. 

Fonte da imagem: https://bit.ly/2LRSrrE

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