Cap. 11 - Motivos

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ATENÇÃO! ESSE POST É UMA CONTINUAÇÃO. SE CHEGOU AQUI POR ENGANO, TE ACONSELHO A LER OS CAPÍTULOS ANTERIORES.

Fiquei meio perdida. Depois de tanto tempo sem sequer olhar para ele, tê-lo tão perto e perder em seguida foi assustador.

– Jake…

– Não, Renesmee. Você espera que eu finja que você não foi embora? Que retornemos de onde paramos? E o que eu faço com todas as noites que fiquei sem dormir, ouvindo a Heather chorar por estar sentindo sua falta? Todos os dias que ela ficou perguntando para seus pais porque você a odiava?

Cada nova frase proferida por Jacob me cortava; doía de verdade. Não queria que minha filha sofresse. Queria que ela fosse a pessoa mais feliz do mundo.

– Eu não queria nada disso, eu juro! Aliás, por que você acha que eu fui embora?

Ele franziu o cenho e ficou me encarando.

– Sei lá. Já pensei tanta coisa… Talvez pelo jeito que eu te tratei aquele dia que você… que a Heather se perdeu na floresta.

– Ela não se perdeu, Jacob. Eu fiz aquilo com ela. Pode dizer. Mas não teve nada a ver com a forma que você me tratou. Se fosse o contrário, se você tivesse feito aquilo com a Heather, eu mataria você.

Jacob não conseguiu evitar um sorriso. Acredito que ele estava me imaginando tentando matá-lo.

– Se não foi por causa daquilo, por que você foi embora?

– Você se lembra o que o Jasper tinha dito, no dia do parto? Você estava mais consciente do que eu.

– Lembro. Ele achava que você poderia estar com depressão pós-parto, que você rejeitaria a Heather. E você me convenceu de que era mentira, de que você amava ela.

– Na verdade, Jasper estava certo.

Jake me olhou confuso. Eu sabia que não fazia sentido para ele. A concepção que ele tinha de depressão pós-parto incluía odiar minha filha. E comigo não foi exatamente assim.

– Eu posso te mostrar? – Estendi a mão para ele, esperando que ele tocasse minha mão, como forma de concessão para que eu mostrasse tudo. – Me dê uma chance. – Pedi.

Por fim, ele segurou minha mão, e eu sorri internamente. Trouxe de volta todas as lembranças que eu tinha, desde o início da gravidez.

No começo, aquele ódio involuntário pela “coisa” que crescia dentro de mim, e que claramente estava roubando meu espaço na vida de todos da minha família, inclusive o Jacob. O choque, quando Jazz sugeriu que eu odiava meu bebê. O quanto a raiva se transformou num amor doentio e totalmente dependente. O quanto eu sentia que ninguém, nem mesmo o Jacob era bom o suficiente para cuidar da Heather, e que só eu poderia fazer aquilo direito. O meu total desequilíbrio mental, quando deixei-a sozinha na floresta. O medo que senti de que eu realmente poderia matar minha filha. Um pouco de lucidez em meio à loucura, que me levou para longe dali. O quanto eu os amava o suficiente para ir embora e evitar que eles sofressem com meu estado psicológico.

Aquelas lembranças eram tão dolorosas, que acabei derrubando algumas lágrimas, enquanto mostrava tudo para ele.

– Renesmee…

– Espere. – Falei. – Tem mais.

Ainda com a mão na dele, mostrei o desespero de me ver no mundo humano – um mundo com o qual eu nunca havia tido contato antes, com exceção de Charlie e Billy. Mostrei quantas vezes eu quis voltar, mas sabia que não podia. E mais para frente, quando resolvi procurar ajuda, e encontrei um vampiro formidável, que tinha um dom especial. Ele era psicólogo e me ajudou demais. Fez-me ver tudo que eu estava fazendo de errado, entender meu problema mental, e superar o suficiente para voltar. Mostrei também o pavor que senti, com a possibilidade de ter uma recaída. Mas meu amor foi mais forte que o medo e ali estava eu. Pronta para tudo, mesmo que para o desprezo dos dois.

– Renesmee… – Ele chamou baixinho, com a voz embargada. Estava quase me acostumando em ouvir meu nome dessa forma, pela boca dele. – Nessie. – Ele se corrigiu e o encarei surpresa.

– Jake, eu…

– Eu entendi, Ness. – Ele disse simplesmente e me abraçou apertado, fazendo com que toda aquela dor que eu havia carregado durante tanto tempo sozinha, escapasse toda de uma vez.

Chorei como nunca havia chorado antes. Tinha passado por tanta coisa, sempre agindo como se eu fosse forte, invencível. Mas com o Jake eu podia ser fraca, eu podia ser a Ness assustada, que precisava dele. Ele sempre soube que eu precisava dele, mesmo quando eu não sabia disso.

Ele segurou meu rosto, me obrigando a encará-lo.

– Eu senti sua falta, Ness. Eu te amo, e vou te amar para sempre. R e J forever, lembra?

– Sim. Nunca duvide do meu amor, Jake.

Próximo capítulo

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