Rosa Parks e Doctor Who

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Coco Van Oppens (BBC America)
Em 1955 Rosa Parks voltava para casa após um longo dia de trabalho. No ônibus, assim como em toda a sociedade norte americana na época, existia a segregação racial; negros só podiam sentar em assentos pré-determinados e brancos eram favorecidos, de tal forma, que negros deviam dar lugar para brancos se não houvesse assentos disponíveis. Neste dia, Rosa se recusou a dar lugar para um homem branco. Ela foi presa. Foi a partir daí que a revolta contra sua prisão deu início à luta pela igualdade racial nos Estados Unidos, que passou a ter diversas frentes, como Martin Luther King, Malcolm X etc. Se hoje existe direitos civis para negros, é a ela a quem devemos agradecer.

Lembro-me de me emocionar ao conhecer esta parte da história, que, infelizmente, por alguma razão, não é tão contada por professores. Grande erro, pois é algo inspirador demais. Há anos li a história completa sobre Rosa, então quando descobri que o episódio teria ela como temática já me apaixonei à primeira vista. A noite, o ônibus, Rosa sendo ordenada a dar lugar, ela aceitando de cabeça baixa num prenúncio do que ela ainda faria no futuro.

A história é simples. A Doutora e seus amigos acabam indo parar em 1955, ano onde a segregação racial e racismo institucionalizado predominavam (sendo que um deles é negro e a outra parda de origem latina). Eles conhecem a história de Rosa Parks e como esperado, se emocionam por estarem próximos a um momento histórico, pois faltam três dias para Rosa recusar a ceder lugar no ônibus e consequentemente, dar origem à luta por igualdade racial. Entretanto, a Doutora e os companions acabam descobrindo que existe um outro viajante no tempo na cidade, e que ele está tentando mudar a história, impedindo que Rosa faça seu ato. 

Para impedir que a história seja reescrita, a Doutora e os companions farão o necessário para que as alterações na linha do tempo não mudem a história de Rosa. 

Chega a ser complicado falar deste episódio sem sentir emoção. Um simples ato mudou não só uma geração inteira, como o mundo, e ver este legado de Rosa representado tão belamente em tela me deu a sensação de que o dever da série foi cumprido; o dever de acreditar na humanidade, de prezar pela paz acima de tudo, do otimismo em tempos difíceis.

O fim do episódio onde a Doutora e os companions nada podem podem fazer a não ser deixar o tempo seguir seu curso, molda o silêncio, a tensão, para logo a trilha sonora de Rise Up de Andra Day, praticamente um hino contra a segregação racial, harmoniza o medo entre a melancolia por Rosa pagar por um sistema vil e a necessidade de ser feito pelo bem da humanidade.

O melhor episódio da temporada até agora. Certamente, entrou para o hall dos episódios inesquecíveis da série. 

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