Cap. 24 – Cumprindo a promessa

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ATENÇÃO! ESSE POST É UMA CONTINUAÇÃO. SE CHEGOU AQUI POR ENGANO, TE ACONSELHO A LER OS CAPÍTULOS ANTERIORES.

Não havia nada que eu pudesse dizer para o Jacob. O que eu fiz foi errado, mas os Volturis fariam algo muito pior se eu deixasse que eles matassem a Heather. Não esperava que o Jake ou qualquer outra pessoa no mundo me entendesse. Eu não me entendia.

Estava voltando para Volterra para mostrar para Aro que tinha cumprido a minha parte do que havíamos combinado, e não sabia ao certo o que pensar ou sentir.

Se eu fosse apenas ser prática, deixando os sentimentos de lado, eu poderia dizer que eu fiz com que minha filha tivesse uma morte indolor e que agora eu estava indo para morrer também. O Jacob ficaria… não bem, mas vivo, e para mim era o suficiente. Os Volturis não mais se envolveriam com a minha família, até porque eles vão me matar. Quando penso nisso me pergunto se a minha família vai querer vingança. Por um lado, eu fiz essa escolha, então eles deveriam apenas respeitar. Por outro, eu matei a Heather, então eles deveriam assumir que eu não mereço ser vingada.

Não percebi quando a viagem terminou. Só percebi que eu estava lá quando cheguei novamente naquele grande salão. Meu coração batia acelerado, como se a essa altura eu tivesse o direito de ficar com medo.

– Olá. – Cumprimentei.

– Renesmee. – Aro fez um leve aceno com a cabeça.

Seu sorriso nojento, todo dentes alvos e olhos vermelhos. Maldita lei dos vampiros, maldito mundo no qual eu nasci.

– Posso ver? – Ele ofereceu gentilmente sua mão para mim.

Toquei a sua mão e fiquei encarando o rosto dele enquanto ele via cada pensamento que eu tivera em toda minha vida.

Agora, quando eu pensava na depressão que eu tive ou em quando fui embora, parecia pouca coisa. Estar no mundo humano, trabalhar nesse mundo, ser tratada por profissionais humanos. Lembro-me do quanto a Dra. Foster, minha psicóloga, foi importante na minha vida. Do quanto uma simples humana me ajudou a resolver meus conflitos e voltar para a minha família. Mas mesmo com alguém como ela ao meu lado, eu tive medo daquele mundo desconhecido, principalmente por não estar bem psicologicamente. Entretanto aquilo nem se comparava ao que eu senti quando fiz a Heather fazer aquilo. Quando a convenci a tomar aqueles remédios. Quando cantei uma última vez para ela. Quando decepcionei o Jake por mostrar mais uma vez a merda de pessoa que eu era.

– Tudo bem, querida. Vai acabar logo. – Aro me consolou antes de soltar a minha mão.

Aposto que mesmo sem estar me tocando ele podia interpretar muito bem a minha expressão de nojo perante suas palavras.

Às vezes eu paro para pensar “E se…?”. Não gosto de me aprofundar nesta pergunta, mas ela simplesmente vem. E se meu pai estivesse comigo quando eu estava grávida, e visse que eu não estava bem? E se minha família tivesse me encontrado todos os anos em que eu estive longe? E se eu tivesse ido embora quando a Heather me rejeitou a primeira vez? E se quando eu era criança, os Volturis tivessem me matado? E se eu nunca fosse o imprintig do Jacob? E se eu nunca tivesse nascido?

Penso que a vida de muitas pessoas seria melhor.

– Vamos fazer um teste com você, Renesmee. Se der certo, enviaremos seu corpo para seus pais velarem.

Que tipo de resposta eu poderia dar para isso? Muito obrigada por me fazerem de cobaia? Fico feliz de saber que se tudo der certo, minha família terá o direito de me enterrar? Isso se eles quiserem fazer isso, depois de tudo que eu fiz.

Fechei os olhos e lágrimas involuntárias escorreram pelo meu rosto. No fim, eu estava com medo. Queria ter feito tudo diferente, ter vivido uma vida diferente. Queria que o Jake estivesse aqui.

Viver uma vida sem arrependimentos.

É, eu com certeza não fiz isso da forma certa.

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