Cap. 26 – Um favor em troca de outro

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ATENÇÃO! ESSE POST É UMA CONTINUAÇÃO. SE CHEGOU AQUI POR ENGANO, TE ACONSELHO A LER OS CAPÍTULOS ANTERIORES.

Jacob Black

Ninguém sabia muito ao certo o que fazer ou pensar. Acredito que sanguessugas tenham mais dificuldades em lidar com a morte de seus semelhantes do que outras raças - porque para eles, morrer não é um caminho natural. Não que eu estivesse lidando bem com a morte da Nessie. Não estava. Mas de repente a família Cullen parecia algo quebrado. Do tipo que não é mais possível consertar.

Talvez eu estivesse apenas projetando meus sentimentos neles. Me sentia algo quebrado e sem conserto. Porém, um sentimento de letargia fazia eu lidar com aquilo. Apenas não sentia que era real, e não dá para sofrer por algo que não é real.

Eu e Renesmee sempre nos questionamos sobre o quão resistente ela era. Sempre falei que deveria ser algo mais próximo de humano do que de vampiro. Pensava que se ela recebesse algum ferimento muito grave, morreria. Nunca fizemos o teste, claro, e não era tão fácil assim acontecer um machucado desse porte em alguém tão fisicamente resistente.

Enquanto olhava aquele corpo dentro daquele caixão, tentava encaixar tudo na realidade. O tecido da camisa favorita da Nessie afundava um pouco naquele buraco onde um dia ficara seu coração.

Eu poderia olhar para seu rosto um milhão de vezes. Em todas essas vezes eu reconheceria cada detalhe e saberia que era a Nessie; a minha Nessie. Entretanto, depois de avaliar sempre pensaria que talvez eles tivessem se enganado e enviado o corpo para a família errada. Ali naquele caixão poderia ser alguém muito parecido – muito igual – a Renesmee, mas poderia não ser ela.

Heather ficou com o meu pai, então eu não precisava consolá-la e falar coisas nas quais eu não acreditava como “vai ficar tudo bem”, ou “não fique triste”.

Sanguessugas iam e vinha, e a maioria dos sons eram apenas cochichos quase inaudíveis até para mim.

Não quero estar aqui.

Quero voltar para algum ponto no tempo em que as coisas façam sentido.

– Você é Jacob Black? – Indagou um sanguessuga cujo rosto me era levemente familiar, mas eu não estava afim de vasculhar minha mente para lembrar de onde o conhecia.

– É o que parece. – Falei, tentando colocar alguma entonação de “não quero falar com você ou com qualquer outra pessoa”.

– Dr. Garry. – Ele se apresentou e estendeu a mão para mim. – Eu era o psicólogo da Renesmee. Gostaria de conversar com você em um local reservado.

Segurei sua mão por reflexo; algo estava me incomodando no meio daquilo. Uma pontada na cabeça gritando que tinha mais por vir, e talvez eu não quisesse esse mais.

E ainda assim, caminhei com ele para fora da casa dos Cullen, longe o suficiente para ninguém nos ouvir. Assim que parei, ele começou a falar:

– Sinto muito pela Renesmee. E pode-se dizer que sou parcialmente responsável pelo que aconteceu. Trouxe algo para você. Não acredito que isso me isente da culpa, mas foi algo que eu pedi para Renesmee em troca de ajudá-la.

Fiz menção de falar algo, mas ele levantou a mão para mim, em sinal para eu parar.

– Por favor, deixe-me concluir. Como eu ia dizendo, ela me pediu algo. Algo que apenas eu poderia fazer. Ela queria que eu alterasse suas memórias. Dessa forma, e só para o caso de vocês estarem preocupados sobre isso, não há brechas no plano dela. Usei meu dom para tornar o plano dela possível. Não tem como os Volturis desconfiarem que a Heather está viva, pois Renesmee morreu acreditando que matou a própria filha. Apaguei também a minha existência. Em sua memória sou apenas algum amigo qualquer sem qualquer dom, e a pessoa que a tratou da depressão é uma humana normal. Quero deixar claro que eu não concordei com o plano dela e que não me orgulho do meu papel nele, mas que não pude dissuadi-la. Em resumo é isso. Eu pedi para ela que escrevesse uma carta para você, porque durante todo o tratamento pareceu-me a pessoa adulta com a qual ela tinha uma ligação sentimental maior. Claro que eu não disse que iria entregar, disse apenas que era uma forma de eu manter suas memórias verdadeiras guardadas. Vim apenas te trazer isso.

Ele estendeu-me um envelope e fiquei em dúvida se pegava ou não. Que tipos de coisas a Renesmee poderia ter escrito para mim? Mas a essa altura não importa mais. Não sei se é possível eu ficar mais ferido do que já estou.

Agradeci e voltei para a casa dos Cullen. Chegando lá, entrei no antigo quarto da Nessie, abri o envelope, e senti meu coração falhar quando a caligrafia dela gritou para mim “Se você está lendo isso, é porque eu morri”.

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