Cap. 23 – A mulher que eu amei

by - 11:23


ATENÇÃO! ESSE POST É UMA CONTINUAÇÃO. SE CHEGOU AQUI POR ENGANO, TE ACONSELHO A LER OS CAPÍTULOS ANTERIORES.

Jacob Black

– Jake… Jake… – Ouvia a voz da Nessie me chamar, mas eu não conseguia alcançá-la. – Jake, eu estou com medo… Jake…

Acordei assustado e ofegante.

Que droga! Eu sei que a Nessie está escondendo alguma coisa de mim! Ela está estranha e não sei o que posso fazer.

Demorei uns segundos para perceber que ela não estava deitada ao meu lado.

Então todos aqueles sentimentos do pesadelo de segundos atrás voltaram.

Aconteceu alguma coisa com a Ness.

Levantei da cama rápido e fui direto para o quarto da Heather, mas nem ela nem a Ness estavam aqui. Eu estava nervoso e o susto inicial estava se tornando pavor. Vasculhei cada cômodo e fiquei tão possesso por elas não estarem em lugar algum que dei um soco na estante da sala, que quebrou.

Eu precisava manter a calma, era só um sonho estúpido.

Parei por um instante e tentei ouvir as coisas ao meu redor. Ok, não era nada razoável sair com uma criança às três da madrugada, mas com certeza a Nessie e a Heather estavam juntas. Se não estivessem tão longe, eu só precisava ouvir com atenção. Era mais fácil de madrugada, menos pessoas acordadas, menos poluição sonora para ser filtrada. Reconheci a voz da Nessie. Não vinha de tão longe. Ela estava cantando.

Mas tinha algo errado.

Claro, eu podia ouvir a Heather junto com ela. Estava quieta, mas eu podia ouvir seu coração. Fraco, falhando, como se…

Antes mesmo de concluir esse pensamento ou engatar qualquer outro, me transformei em lobo e corri.

“O que eu fiz?” Ouvi a Renesmee chorando e eu não podia mais ouvir o coração da Heather.

Era um pesadelo, só podia ser um pesadelo.

Eu cheguei naquele maldito lugar onde um dia eu permiti que a Renesmee entrasse de novo na minha vida e na de Heather.

Aquela cena parecia um quadro de pintura abstrata, onde as coisas não fazem qualquer sentido. Elas simplesmente estão ali.

A Renesmee abraçando a Heather.

A Heather morta.

Árvores.

Faz algum sentido?

Então ela me viu.

Ouvi-a sussurrar “Eu te amo” no ouvido da Heather, antes de colocá-la no chão. Em seguida, ela jogou um vidro de remédio no chão, na minha frente.

– Eu fiz isso porque te amo, amo vocês dois.

MAS QUE PORRA É ESSA! Eu tentei gritar, mas apenas uivos nervosos saíram.

Encostei o focinho na bochecha da Heather. Droga, droga, droga. E eu chorei. Da pior forma que um lobo pode chorar. Sentia como se meu corpo estivesse dentro da água. Um vai e vem, uma sensação de não pertencer a nada.

Eu não era nada.

– Adeus, Jake.

E ela foi embora. Simples assim. Queria poder dizer que quem partia era a mulher que um dia eu amei. Mas quem estava partindo era um monstro. Um monstro que eu ainda amava.

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