4 tropes da ficção que eu odeio

By Alana Campanha - abril 24, 2020

Revista Galileu
"Trope" significa convenção narrativa. É diferente de "clichê" por ser impossível produzir qualquer obra de ficção sem tropes, mas é possível fazê-lo sem clichês. Todos os clichês também são tropes, mas a maioria dos tropes não são clichês. A nerd que se apaixona pelo capitão do time é um trope, mas só é clichê também por ter sido tão utilizado que hoje em dia pega mal. Mas já, digamos, um homem que acaba ficando mal ou tem sua moral corrompida ao longo da narrativa como em Hannibal e Joker não é clichê, mas é trope. Todas as histórias tem tropes, eles só são convenções que foram listadas ao longo do tempo, o maior exemplo é o site tv tropes. Nele, você pode acessar todos os tropes dos seus livros, séries, filmes etc.

Costumo acessá-lo bastante. Não é desanimador saber que nada é realmente original, pois o importante é a execução. Mas navegando e vendo vídeos sobre tropes mal falados, relembrei os tropes que eu menos gosto. Alguns são a razão que eu posso até parar de ler a sinopse e ir pra outro. Claro que isso é subjetivo de minha parte, você pode gostar deles sem problemas porque no final das contas, é tudo ficção.

Então vamos lá!

4. O futuro próximo que vai ficar datado

Isso é algo bobo, mas me irrita. Não importa se é filme ou livro, se a ficção-científica já começa com "No ano de 2 mil e tra lá lá" eu sinto descrença porque por algum motivo além da minha compreensão, a maioria dessas datas "futuras" escolhidas na ficção vão de 2040 a no máximo 2100. E eu não entendo. Por que é irritante? Porque vai ficar datado rapidamente. Se a data escolhida permite que a gente sobreviva até lá, fico com um pé atrás porque certamente, não teremos viagens interdimensionais, temporais ou teletransporte em 2040. No futuro, veremos essas obras com a mesma sensação de graça que vemos 2015 ser representado em De Volta para o Futuro. "Poxa, legal, pena que nada disso aconteceu."

Por isso, quando se trata do futuro, acho imensamente melhor quando não especificam a data, como em Black Mirror, ou jogam uma data muito distante, tipo 4000 ou 7.200. Apesar dessa reclamação, não é algo que me faz desistir de uma obra, até porque, é só uma frescura da minha parte.


3. A busca previsível por McGuffin 

Você está assistindo/lendo uma obra e está até bom. Mas de repente, a narrativa para para explicar para o protagonista que existem "objetos" por aí que ele precisa recuperar. O McGuffin são esses objetivos usadas na narrativa para que o protagonista se desloque e encontre, geralmente, antes dos vilões. É muito usado em fantasias e normalmente, é uma desculpa para o protagonista e a audiência explorarem o mundo criado. Sabe aquele momento da história em que o sábio diz de uma tal pérola sagrada que salvará o mundo e você sabe que o personagem vai atrás dela? É isso. 

Eu entendo o uso desse artifício. Bons filmes o usam, Indiana Jones, Guerra Infinita etc., mas será que não existe outras coisas a serem usadas em ambientes fantásticos? É necessário mesmo inventar as Três Insignias do Sol só para fazer os personagens andarem por aí? Esse tipo de "plot" não me cativa justamente por ser tão estruturado e utilizado, que é previsível. Pior ainda é quando nos contam de antemão todos os ambientes que os personagens vão passar. "Ah, sim, vamos na terra do sol pegar a pérola, depois na lua de Netuno pra recuperar o colar, depois para o...", pode me entregar o roteiro, porque os pontos principais, você já contou.

Nesse sentido, é bem mais interessante quando os personagens estão em busca de ações, como Avatar: a lenda de Aang que queria treinamento para acabar com a guerra e no Hobbit, que era matar o dragão. Ou só viajar sem motivo aparente, só pelo gosto da jornada. Há muitas maneiras de fazer os personagens desbravarem o mundo, não precisa ser sempre a busca pelos objetos que o público não se importa.

2. O Escolhido e a Profecia

Ah, sim. A Profecia diz que o protagonista é o Escolhido e vai salvar o mundo porque o Destino assim o disse. Não importa o quanto outros mais competentes e merecedores lutem, o Escolhido derrotará o vilão. Isso é algo que me incomoda, pois deixam todos os outros personagens debaixo do tapete e eleva o protagonista a um posto quase messiânico sem que ele não mereça.

Uma subversão legal disso é em Jogos Vorazes. Katniss não é a sorteada para os jogos, mas se voluntaria para salvar a irmã. Mais tarde, ela se esforça para mantar nesse "posto", no caso, o rosto da rebelião depois de seus esforços contra a Capital.   


1. Abuso romantizado

O trope que eu mais odeio também pode ser considerado o mais odiado pela maioria dos leitores e mesmo assim, continua lido principalmente por adolescentes. Os mais populares quando se fala no assunto são os famigerados Crepúsculo e 50 Tons de Cinza, mas relações tóxicas vistas como românticas se popularizam em todos os formatos. Supergirl, Once Upon a Time, Friends, AfterOrange is the new black, os títulos são muitos. E como li Crepúsculo na adolescência, passou um tempo até eu perceber os alertas, o primeiro em Eclipse quando Edward tentou controlar o ir e vir de Bella. Claro que tiveram nos livros anteriores, mas quanto mais o leitor for ingênuo, mais vai levar na boa o que lê. "Bella acha romântico ser rastreada e observada enquanto dorme, então deve ser.". Então, com a tentativa de controle e depois com Jacob dando um beijo forçado, eu não sentia que a coisa era tão romântica assim, e a discussão de imprint não ajudou em nada. 

E talvez pior que o relacionamento abusivo com quê de romance, são as justificativas por que os caras são assim, o que sempre aparece como meio de dizer "é, ele é ruim, mas tem um passado difícil, então está tudo bem.". Não é nenhuma novidade que pessoas de caráter duvidoso tenham problemas no passado, inferir por que elas cometem erros hoje em dia por conta de tal coisa e tal não é errado, o delírio é achar que basicamente o abuso está okay por causa disso. Esse deve ser um dos poucos tropes que realmente me fazem desistir de uma obra e quando continuo, é só pra eu falar mal depois. Prefiro acompanhar You e Killing Stalking cujo abuso é muito pior do que qualquer um desses citados, mas que pelo menos, não romantizam


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